Precisamos falar de assédio... mas sem hipocrisia!


''Seguimos o código de conduta" "Temos palestra inaugural" "Promovemos encontros para tratar temas diversos" "Debates periódicos sobre vários temas e claro o assédio também" "Recebemos uma palestra" "Nosso RH é receptivo e aberto para ouvir e solucionar" "Criamos uma ouvidoria" Isso tudo é o mesmo que dizer: Fizemos o que todos já faziam ou fizemos novamente o que já tinha sido feito.



Após a pesquisa do Grupo de Planejamento (2018) revelar que  90% das mulheres e 76% dos homens sofreram assédio nas empresas de comunicação (agências), as notas e posicionamento de algumas das principais empresas do ramo divulgadas na Meio & Mensagem NÃO CONVENCEM.  Palavras que deixam  a impressão de alguém tentando se esquivar ou simplesmente informando já ter despachado o problema.

Interessante ainda nessas notas, é que a maioria delas relata sobre o impacto da divulgação da pesquisa. Como se o assunto incomodasse menos do que o fato de divulgar o problema. Se todas elas afirmam que não tem esse problema ou que já resolveram (com palestras, folhetos e essas ações clichês) de onde vêm 90% das mulheres vítimas de assédio nessas empresas?

Não há dúvidas de que problema do assédio é resultado de diversas questões, entre as quais temos o AMBIENTE. No caso das agências de comunicação e publicidade, o ambiente é generalizado intimidador, sendo que a intimidação é uma das principais características do assédio.

O tabu não está no assédio, esse é apenas mais uma consequência. O tabu vem das culturas e valores praticados, muitas vezes parecidos com regras da profissão, no mercado e nas empresas de comunicação. Para falar sobre assédio, tem que se falar sobre esses valores deixando a hipocrisia de lado. Ações medíocres e clichês não mudaram e não vão mudar a realidade.

Só para deixar claro: quando falo em deixar a hipocrisia de lado, quero dizer: responsabilizar-se.


Link: para a matéria da Meio & Mensagem